O desafio de liderar quando a própria liderança parece travar o caminho

Como lidar com BOICOTE do PRESBITERIO - Tiago Lima

Você chega em uma nova igreja, ou talvez já esteja nela há anos, com uma nova visão. Você vê o potencial, enxerga as vidas que precisam ser alcançadas e sabe exatamente o que precisa ser feito para a comunidade avançar. Mas, no primeiro passo, você bate em um muro.

Muitos pastores vivem a frustração de sentir que a maior oposição ao crescimento não vem de fora, mas de dentro. São as famosas “facções” internas, os “caciques” do conselho ou aqueles líderes que parecem ter prazer em barrar qualquer iniciativa nova. O sentimento é de que você não está liderando uma igreja, mas tentando desarmar uma bomba-relógio toda semana.

Se você se sente um refém da própria liderança, saiba que você não está sozinho. A pergunta que fica é: como romper essa barreira sem destruir os relacionamentos ou dividir a igreja? Como transformar um clima de boicote em um ambiente de cooperação?

O primeiro passo é um diagnóstico honesto (e corajoso)

Antes de apontar o dedo para o conselho e rotulá-los como “inimigos da visão”, é preciso fazer um exercício de humildade. Nem todo confronto é um boicote. Às vezes, o líder que questiona você está apenas sendo zeloso, ou talvez ele tenha razão em algum ponto que você ignorou por causa do entusiasmo.

A grande diferença está na intenção. É uma confrontação saudável para resolver um problema ou é uma tentativa deliberada de parar o seu trabalho? Para ter essa clareza, muitas vezes precisamos de um olhar externo. Um mentor pode nos ajudar a enxergar se estamos sendo perseguidos ou se estamos apenas sendo teimosos com uma ideia que ainda não amadureceu.

Saia do campo das opiniões e entre no campo dos projetos

Um dos maiores erros de um líder é tentar mudar a cultura da igreja baseando-se apenas em “eu acho” ou “eu quero”. Quando você não tem um projeto sólido, um diagnóstico claro e argumentos bem fundamentados, a discussão vira uma guerra de gostos pessoais. E, nesse jogo, o líder que está lá há trinta anos quase sempre ganha.

Para ter a mão da igreja e presidir com eficácia, você precisa ser proativo. Isso significa ter uma visão clara e, acima de tudo, apresentar essa visão com base em dados, na Bíblia e na realidade local.

  • Você fez um diagnóstico real das necessidades da igreja?
  • Seu argumento está baseado em princípios bíblicos ou apenas em uma tendência externa?
  • Você está preparado para as perguntas difíceis que virão?

Quando você tem um projeto de base, você deixa de defender a sua opinião e passa a defender uma direção dada por Deus para o bem de todos.

Ganhe as pessoas, não as discussões

Liderança não se impõe, se conquista. Se você chegar na reunião do conselho dando ordens e dizendo que “vai ser assim porque eu sou o pastor”, você pode até ganhar no grito, mas perderá o coração das pessoas. E sem o coração da liderança, você não terá ninguém caminhando ao seu lado.

A estratégia vencedora é a paciência e a abertura para o diálogo. Reúna sua liderança, apresente a visão e dê liberdade para que eles questionem. Quando alguém se opuser, não reaja com raiva. Peça argumentos. Se a pessoa estiver apenas defendendo um gosto pessoal, ela naturalmente perderá influência diante dos outros líderes que estão buscando algo mais profundo.

Seja firme nos seus argumentos, mas doce no trato. O objetivo não é vencer o debate, é ganhar o irmão para a causa do Reino.

A estratégia do “mesmo livro”

Às vezes, a oposição acontece porque as pessoas simplesmente não falam a mesma língua que você. Uma forma prática de desarmar resistências é unificar o conhecimento e os conceitos da equipe.

Experimente distribuir um livro para os seus líderes. Proponha que todos leiam o mesmo material durante o mês para conversarem sobre ele na próxima reunião. Isso tira o foco da sua pessoa e coloca a discussão em cima de verdades validadas. Fica muito mais difícil alguém ser contra uma mudança quando ela está claramente embasada na Bíblia ou em experiências de sucesso que todos agora conhecem.

No fim das contas, liderar uma igreja não é sobre quem manda mais. É sobre quem serve melhor à missão de Jesus. Se um líder continua tentando disseminar o caos, aí o tratamento passa a ser o confronto bíblico visando o arrependimento. Mas, na maioria dos casos, o que a sua liderança precisa é de um pastor que tenha um projeto claro, argumentos amorosos e a coragem de ser o primeiro a caminhar em direção à visão.

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